Das cerca de 180 línguas indígenas ainda faladas no Brasil, mais de 60 têm menos de 100 falantes. Sem documentação e transmissão, muitas desaparecerão nas próximas décadas. No Alto Rio Negro, uma iniciativa liderada pelas próprias comunidades está tentando mudar esse cenário.

A plataforma Yawari — que significa "onça" em nheengatu, a língua franca da região — foi lançada em março e já documenta 12 línguas do noroeste amazônico, incluindo baniwa, tukano, desana e kubeo.

Como funciona

A plataforma combina gravações de falantes nativos, dicionários interativos, histórias tradicionais e materiais didáticos desenvolvidos pelas próprias comunidades. O conteúdo é acessível offline — fundamental em uma região onde a conexão à internet é intermitente.

"Não é a gente documentando para o arquivo. É a gente ensinando para os nossos filhos", diz Davi Baniwa, um dos coordenadores do projeto. "A língua não é só palavras. É a forma como a gente entende o mundo."

Apoio e expansão

O projeto recebeu apoio técnico da Universidade Federal do Amazonas e financiamento do Fundo Amazônia. A meta é expandir para 20 línguas até o final de 2027 e criar um programa de formação de "guardiões da língua" — jovens indígenas treinados para documentar e ensinar.